Integridade

Quando sou metade para o mundo,
sinto o mundo sendo metade pra mim.

Eu não quero meias partes, eu quero viver por inteira.

Integridade.

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Desenho em Nankim por Ju_nas.marés
Integridade.
Substantivo feminino.                                                                                            
1. Estado ou característica daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; plenitude, inteireza.

Tenho aprendido nos últimos tempos o verdadeiro significado da palavra CORAGEM, ou o caminho do coração. Entendo coragem como sendo a força que nos impulsiona e que nos dá energia para sermos nós mesmo, por inteiro. Que curioso, não? Precisamos de coragem para sermos que somos.

Penso que para ser íntegra, tenho que primeiramente estar disposta e, ser capaz, de me escutar. É preciso também despir-me de meus escudos e armadura – posição nada confortável – para poder então agir (e ser) sem o peso extra que a “proteção” do medo traz.

E por que temos medo? Temos medo de nos expormos ao ridículo quando mostramos nossas limitações, temos medos de colocarmos nossos limites para o outro e gerarmos conflitos (temos medos de conflitos), temos medo sermos: “chatos”, “complicados”, “inflexíveis”, etc. Basicamente temos medo de não sermos queridos.

Agir a partir do medo, limitando a integralidade do nosso Ser é uma grande lástima, para nós mesmos e para o mundo. Quantas foram as vezes que não falei tudo o que tinha para falar por medo de rejeição, quantas vezes deixei colocar meu limite por medo de conflito (as vezes um simples pedido como “você poderia abaixar o volume da música por favor”), quantas vezes fiz mais do que podia/queria fazer por não conseguir dizer ou mostrar minhas limitações físicas, emocionais, ou outra qualquer?

O problema – para mim – de ser menos do que que sou, de ser pela metade, é que sinto o mundo também sendo menos pra mim. Me sinto uma espectadora da minha própria vida, começo a criar histórias para preencher as lacunas que eu mesma deixei em branco. Me sinto pequena e incapaz de dar eu mesma um rumo para minha vida, para minha história.

Tenho aprendido a observar esse meu padrão, e tenho praticado cada vez mais o uso de minha coragem para ser EU. Dá medo…. mas a verdade é que quase sempre a consequência é positiva. Percebo que me respeitando, sou mais respeitada, que sou mais vista – por inteira – e sou mais querida por aqueles que realmente importam (funciona até como um seletor de amizade verdadeiras), e que na verdade a quantidade de conflitos gerado é bem menor do que o que eu sempre imagino – e os que surgem eu tento acolher e “resolver” com a mesma integridade.

Deixo aqui um questionamento à forma como somos educados (na vida e nas escolas). Um educação que nos faz ter medo de sermos nós em nossa totalidade e em nossas potências, e que nos ensina a ter medo do confronto. Acredito, e busco todo dia criar, um mundo a minha volta em que possa abraçar o confronto, abraçar minhas limitações, e principalmente abraçar a mim mesma, por inteira.

Torço silenciosamente para que isso se espalhe, ao meu redor, como um vírus do bem.

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