Minha Lua

Escrevi esse texto a algumas Luas atrás. Hoje ele volta a fazer sentido, hoje sinto dele ser compartilhado. Hoje, na minha Lua Nova.

Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2016.

Sabia que tinha que escrever sobre menstruação… tava aqui na ponta do lápis. Tava por ai, vindo de diferentes formas. Estava sentindo que esse meu último ciclo estava diferente, ele estava querendo me dizer alguma coisa.  De uns tempos pra cá posso dizer que tenho estado mais ligada no meu ciclo menstrual. Acho que antes nunca havia prestado muita atenção nas nuanças que acontecem no corpo, na mente, nas emoções ao longo de um ciclo menstrual, uma lua.

Em março desde ano ganhei de presente de uma amiga – irmã – um livro muito especial: The Way of The Wappy Woman. Descobri o livro uns 20 dias antes na casa da mãe dessa mesma amiga. Ele estava lá em um canto, me chamou a atenção – embora possa Confessar que minha primeira reação a um livro com esse nome e com essa capa foi a de rejeição, – mas curiosa do jeito que sou decidi começar a ler… O livro começou a me prender a atenção e a cada palavra e a cada linha a mensagem ia sendo absorvida e fazia mais e mais sentido eu estas lendo aquilo, naquele momento.

Uma das primeiras lições que tirei do livro, é a de se reconectar com o nosso ciclo natural feminino, o ciclo que cura, o ciclo que nos permite vivênciar as 4 diferentes estações em menos de 1 mês. 

  • Ovulação –  Verão: férteis maduras;
  • Semana antes de menstruar – Outono: começamos a contrair e voltar – se a nós mesmas (não é a toa que temos TPM,  nosso corpo chamado atenção de nós mesmas);
  • Menstruação – Inverno: regeneração;
  • Após menstruação – Primavera: depois de nos libertar, descansadas e purificadas.  (Incubando, criando, derramando, e se desfazendo)

Um pequeno parênteses aparentemente fora de tópico: Numa aula sobre Permacultura do curso Gaia me ficou marcado o fato de que devemos deixar algumas coisas irem para que outras desabrochassem, ou mesmo para nossas criações.

Ontem (24/10) estava sem energia (pelo menos comparado ao meu normal). Seguindo minha rotina fui para natação no mar de bicicleta, mas sem conseguir fazer nenhuma força no pedal, comecei a nadar, mas sem a mesma concentração na atividade, estava mais aérea eu diria, passei o dia mais devagar, quase em modo de economia de bateria.

Acordo sabendo que hoje é dia de ficar menstruada. Começo o dia bebendo água, lendo mensagens, me organizando e aconchegando para passar o dia escrevendo meu TCC (Uhull hoje já estou formada). Vou no banheiro e coloco meu coletor menstrual, já me preparando. De repente, começa uma cólica, em princípio nada demais, sempre tenho cólicas no 1º dia. Decido fazer algo para meu café da manhã – yummy: panqueca de ovo com farinha de coco e “cobertura” de fatias de banana com pasta de amendoim – a dor começa a aumentar, tomo um chá, sento pra comer. A dor começa a ficar insuportável, tento comer o que posso rapidamente e entro no banho, meu corpo tava pedindo pra ficar livre de roupas. Nua, deixo água quente correr pelo meu corpo por um tempo… começa a aliviar mas não o suficiente. Saio do banho e vou direto pra cama, deito com cobertor e tudo em plena primavera (se é que existe essa estação do Rio) Carioca. A cólica não da trégua, penso em comprar remédio, mas tá impossível sair da cama para qualquer coisa… Penso que de alguma forma aquela dor toda deve estar querendo me dizer alguma coisa, me sinto fraca, sem forças. Decido relaxar e aceitar que vou ficar nisso por um tempo e tento me aconchegar o máximo possível.  De repente me vem na cabeça a imagem do tomateiro que tenho no jardim, me pergunto por que uma das flores não virou tomate, “será que dei pouca água?”. Dai me pergunto: como as flores viram frutos? não conseguindo resgatar essa resposta dos meus tempos de escola decido perguntar pra ele: GOOGLE. Assisto a um vídeo do desenvolvimento da pêra. As flores surgem, as pétalas e outras estruturas murcham e se vão. Fica um pedacinho que começa a crescer, se desenvolver, até finalmente virar uma fruta (e o que tem dentro da fruta? sementes… alguma analogia?)

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Foto por: Ju_nas.mares // Quinta da Jade – Petrópolis // Camera Olympus OM1 // 35mm

De repente me vem, EPIFANIA! Lógico, como nunca percebi antes, somos como as árvores!  Nossos ciclos são mimetizações aos ciclos da natureza ao nosso redor. Nos desfazemos das “pétalas” durante nossa menstruação para que possam crescer “frutos” (ovulação)!

E a semelhança do ciclo não está apenas no que acontece fisicamente a nós e as plantas. Nossos ciclos vem para nos ensinar sobre deixar ir embora – literalmente – e que às vezes, algumas vezes, dói (bastante) ... e é claro, nos ensina que ao deixar ir, podemos colher novos frutos.

Por mensagem, compartilho essa epifania com 2 amigas. E o que vem imediatamente? Frutos, palavras de amor e admiração, conexão. Não preciso nem dizer que a cólica passou, a energia voltou, e tô agora aqui escrevendo esse texto, feliz(ona). Obrigada pela sabedoria das árvores, da natureza, da Mãe Natureza ou O Sagrado Feminino.

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